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quarta-feira, 6 de abril de 2011

ADIVINHA-SE PARA ONDE VAI CAIR A ECONOMIA

Há mais de um ano atrás escrevi este texto, mas esqueci-me de o publicar (aparentemente).
Mas nunca é tarde, até porque não mudei de opinião.
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Hoje, Portugal decidiu pedir ajuda à Comunidade Europeia.
Na verdade, estamos falidos e sem dinheiro para pagar ordenados aos funcionários públicos ( e afins).
Esta e outras são as verdades que todos já sabemos. Existirão outras que nem imaginamos!
Contudo, o objectivo deste "post" é outro que analisar as causas da actual situação economicó-financeira-política deste país a naufragar!
Primeiro, todos podemos assistir em simultâneo e em todas as televisões o discurso do Primeiro Ministro que conseguiu explicar de forma exímia (como só um bom marketier ou vendedor consegue fazer) que a culpa deste pedido de ajuda à UE é dos outros (partidos) que recusaram o PEC4. A desculpa, ou a culpabilização dos outros por aquilo que foi o governo que fez (afinal quem é que governa há já seis anos?) foi o mote defendido e emocionalmente transmitido a todos os Portugueses (há excepções, felizmente) como só o nosso PM é capaz!
Depois ouvimos o líder do principal partido da oposição a tentar elevar o nível da discussão e a dizer qual a sua posição sobre a decisão em causa e a explicar a razão porque o seu partido apoia a decisão do governo (a oposição directa, não nos esqueçamos). O tom do discurso foi sempre pela positiva, e tentou transmitir uma mensagem de esperança e de luta apesar das dificuldade (afundamento total) em que nos encontramos.
A segunda resposta ao anúncio do governo foi do líder da oposição que ocupa a posição de extrema esquerda. De forma objectiva explicou o porquê do governo ter visto o PAC4 rejeitado bem como apenas três decisões que esse mesmo governo tinha tomado (já só me lembro de duas: compra dos submarinos e apoio ao BPN) tinham tido quatro vezes impacto no orçamento do que o valor colocado em causa pelo mesmo PAC4.
Demagogias à parte (e disso estamos fartos), o que interessa é o que os portugueses votantes compreenderam.
Primeiro, entenderam (ou pensaram entender) que o PM que tem sido um mártir da oposição e que tem feito tudo o que de melhor se poderia fazer para salvar o país, mas que se agora pediu ajuda (externa) à CE ou FMI (isso pouco interessa para a emoção de cada eleitor) foi porque a isso foi obrigado por outros.
Segundo, não entenderam nada do que o líder do principal partido da oposição disse (até parecia que estava a falar bem do governo, imagine-se) porque a linguagem demasiado elaborada e técnica (e até formal) que utilizou para tentar mostrar como estará preparado para enfrentar a situação terrível em que nos encontramos, está muito acima do entendimento do eleitor (cidadão) comum.
Finalmente, o líder do partido da oposição da extrema esquerda conseguiu de forma clara (não fosse o mensageiro exímio na manipulação da palavra) passar a mensagem com bastante objectividade como o governo tem esbanjado os nossos impostos de forma escandalosa. Mais, demonstrou (e parece mesmo que o deve ter conseguido) que não existe alternativa para além das opções de esquerda (quais são não o sabemos mas houve promessas de que serão desvendadas em breve)
Depois de todas estas análises rápidas e poucos profundas, pode-se compreender o porquê e o sentido de voto nas próximas eleições.
Tivessem os eleitores uma melhor compreensão da economia e dos factores que nos levaram à actual (e muito duradoura) crise (o que também inclui factores políticos), e não teríamos com toda a certeza decisões eleitorais que se irão, mais uma vez, manifestar "estupidamente" desastrosas para todos nós!

terça-feira, 5 de abril de 2011

OS DIREITOS GLOBAIS

O actual contexto global em que nos encontramos, que inclui esta longa crise económica que se arrasta desde a outra tal crise do sub-prime em 2007, as revoluções nem alguns países do Magrebe e outros do médio oriente na busca de mais democracia, o terramoto, tsunami e crise nuclear do Japão, em sobreposição a muitos outros problemas acumulados a nível económico e social deste mundo cada vez mais global, está a expor novas situações reivindicativas a vários níveis.
Enquanto por cá queremos empregos e bons ordenados, até porque a constituição da nação é justa e prevê que todos tenhamos essas oportunidades de forma efectiva, lá por fora os refugiados de muitas guerras e revoluções, sendo ou não nacionais dos países que estão envolvidos nessas mesmas guerras e revoluções reivindicam asilo noutros países mas com casa e trabalho.
Como é que tal é possível?
Facil! Nas últimas décadas temos tido políticos em todo o mundo que passaram esta mensagem global e que nos têm prometido aquilo que eles mais do que ninguém sabiam (senão foi assim, então eram mesmos burros) que era insustentável a longo prazo e impossível de durar suficiente para que nos esquecêssemos das suas promessas. Com isto, criaram também na mente de outros que tais benesses são ou poderão ser abrangentes a qualquer cidadão do mundo.
O sentimento global, de qualquer habitante em qualquer parte do mundo (haverá excepções que apenas servem para confirmar a regra), é que todos nós, indivíduos, temos direitos que devem ser satisfeitos (pelos outros), mas esquecemo-nos dos deveres porque ninguém soube explicar que direitos implicam deveres (um pequeno pormenor que serviu os propósitos políticos de muito boa gente).
Veja-se as notícias na televisão. Em todo o mundo as reivindicações são em barda, expressas por todos a quem é dada a oportunidade de as explanar e reclamar. Mas, já ouvimos os mesmos falar dos seus deveres pessoais? Claro que não.
Parece-me que o único dever que nos vão lembrando de vez em quando é que devemos "votar", pois esse é um dever cívico.
Esquecem-se, porém, esses mensageiros de nos dizer que cada voto "votado" é pago!
Sim, por cada voto que os partidos obtenham serão mais uns euros (ou outra qualquer moeda) que vão para os cofres desses partidos ou candidatos (pelo menos é assim por cá e outros países com sistemas eleitorais semelhantes ao nosso). Assim, até é de admirar que votar não seja obrigatório.
Pelo menos, esse seria mais um direito "estúpido" a satisfazer!

SERÁ QUE HÁ SOLUÇÃO?

Por vezes sou obrigado a pensar que vivemos num país sem "alvará" para o ser.
Temos por um lado um governo que teima em continuar com investimentos em obras públicas e a dizer que não necessita de ajuda externa.
Por outro temos os bancos a dizerem que não emprestam mais dinheiro ao Estado, aquele mesmo a quem pediram ajuda há uns tempos atrás (e conforme referido no post anterior).
Sabemos uma coisa: não temos solução se continuarmos no caminho que temos percorrido até agora.
Contudo, as posições (e interesses) políticas sobrepoem-se aos do país e as teimosias começam a ter alguns efeitos.
Não podemos viver a pedir dinheiro ao estrangeiro a 6 ou 12 meses sabendo que não vamos conseguir produzir sequer suficiente para pagar os juros.
Por outro lado, sabemos que a solução a curto e longo prazo vai ser dolorosa. Não nos podemos esquecer que as boas reformas que alguns beneficiários do Sistema Nacional de Segurança Social começaram a auferir depois do 25 de Abril estão a ser pagas com empréstimos que os netos desses mesmos beneficiários terão de pagar com juros elevadíssimos durante as próximas décadas.
Sim, décadas, é o tempo que todo este sacrifício vai durar.
E ainda existe gente que, estupidamente, insiste em mais do mesmo.
A solução para quem não queira fazer parte deste massacre é apenas um:sair do país, depressa!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

AFINAL PARA ONDE VÃO OS JUROS?

Esta é uma questão que para os menos informados parece quase sem resposta. Se o Estado paga cada vez juros mais caros e por prazos mais reduzidos (chama-se a isto utilizar um garrote em vez de uma gravata), quem beneficia com isso?
Existe uma resposta muito simples: quem nos empresta o dinheiro (bancos e seus afins).
Mas então os bancos não andam todos aflitos?
Nem todos.
Os bancos portugueses têm nos últimos dois anos vindo a financiar-se junto dos BCE (Banco Central Europeu) para comprar dívida a curto e médio prazo ao Estado Português, sendo que nestas operações ganha o diferencial entre a taxa de juros que paga ao BCE e a que recebe do Estado Português.
Assim, uma da parte dos nossos impostos (aumentados para salvar a crise) estão a ir directamente para o salvamento dos bancos, depois de todos os "donativos" que o nosso governo já fez aos ditos, como por exemplo substituir o risco que os bancos detinham com o financiamento às empresas através de programas ditos de financiamento às PME (Financia e outros mais) que acabaram apenas por substituir crédito cujo risco pertencia aos bancos e que passou depois para o próprio Estado. Esses milhões injectados na economia de acordo com os dados e informações do governo para aumentar o investimento e a competitividade das PME só serviu para trocar responsabilidades e aliviar a exposição dos bancos ao risco e com isso poderem (ou tentarem) financiar-se externamente.
Contudo, como o petisco é apetitoso (enquanto a UE existir e der sinais de que segurará o Euro), também os bancos de outros países acabam por ficar com parte desse mesmo quinhão. Assim, em vez de diminuir a nossa dívida do Estado (interna e externamente) estamos sim a aumentá-la, o que vai fazer que as próximas gerações irão ter muito que produzir para pagar a dívida que lhes estamos a deixar.
Mas porque deixamos que isto aconteça?
Pela simples razão que se não o fizermos os bancos vão-se abaixo (leia-se, vão à banca rota), porque estão descapitalizados (entenda-se, emprestaram a quem não podia pagar de volta e ainda distribuíram enormes fortunas pelos seus gestores durante muitos anos como prémio dos "excelentes" resultados de gestão que obtiveram, ainda por identificar para muitos de nós excepto para os referidos beneficiários) e com essa subtil ameaça da sua possível ruptura e danos aos depositantes, o que pode causar a eliminação de biliões de euros do mercado (mais de 90% desse dinheiro é puramente virtual) e com isso a ruptura da própria economia.
Assim, para já, tornamo-nos escravos dos donos do capital (que nem terão assim tanto mas sob a ameaça de matar a economia vão ficando efectivamente cada vez com mais).
Nem os políticos (os fracos e sem visão) conseguem sair desta ratoeira.
Geralmente, é "estupidamente" nesses que a maioria dos eleitorados votam, tanto por cá como também lá por fora!

domingo, 3 de abril de 2011

(i)Lógica

Existem alturas em que tenho problemas com a lógica de certos actores da nossa sociedade, neste caso específico, da nossa classe política.
É do nosso conhecimento que iremos ter este ano de fazer pagamento de dívidas externas (estou a referir-me ao Estado ou Governo de Portugal) em Abril e em Junho.
Para qualquer humano menos iluminado, como eu, só poderia haver um entendimento e comportamento: ter já feito suficientes reservas de capital para pagar a quem se deve.
Ora, no caso do governo deste país (um amigo meu diz que o nós não temos alvará para ser país, mas ainda assim...), que não tem dinheiro nem para pagar os seus próprios custos operacionais (contas correntes com pessoal e outros) como vai então pagar a quem deve?
Fácil! vai pedir mais dinheiro emprestado ( a quem já deve, entenda-se)
Não fosse este gesto inconsciente e desresponsável já uma sombra sobre quem nos governa, ainda se atreve o mesmo governo ( será que é ou foi alguma vez isso ou parte disso?!) a dizer que irão pagar a taxa de juros que os mercados (entenda-se aqueles a quem se deve e aos quais para pagar não temos o dinheiro suficiente) vierem a exigir em vez de irmos pedir um empréstimo à "família" a uma taxa mais baixa.
Como poderia qualquer um de nós, cidadãos e votantes, gerir a nossa "casa" desta forma?
Primeiro, não tendo a preocupação de amealhar o suficiente para pagar a quem devemos e, segundo, indo pedir dinheiro emprestado a taxas de juros ainda mais altas do que poderíamos fazer se nos socorrêssemos dos amigos (refira-se que estes "amigos" são o FMI ou o FEFE, dos quais somos também parte integrante, ou seja, nós servimos para emprestar aos outros como a Grécia e a Irlanda mas a nossa família não serve para nos ajudar a nós próprios porque isso é uma afronta à nossa honra - aonde é que alguém como este governo se atreve a invocar o termo honra? só por despudor e tentativa de engano dos mais incautos)
O problema não é de quem nos (des)governa!
O problema é nosso, que vamos de ter de pagar esses juros altos, bem altos, que irão subir constantemente, e que irão incidir sobre empréstimos de curto prazo, apenas empurrando o problema ainda mais aumentado para daqui a um ano.
A estupidez não é de quem toma estas decisões. Não, porque o faz por razões que nada têm nada a haver com o bem do país.
A estupidez é mesmo de quem acredita em falácias.
Podemos concluir que apenas temos o que efectivamente merecemos!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

DE QUEM FOI A CULPA?

Não me atrevo sequer a repetir o que foi dito e redito no que diz respeito às culpas da actual situação económica e financeira de Portugal, porque isso seria fazer com que parassem de ler o essencial desta pequena mensagem (pensamento).
A culpa só pode ser de quem toma decisões.
Nas empresas há muito que aprendemos que a culpa, em última instância, é do "chefe" porque não soube, não quis saber ou fez que não sabia.
Em economia e política é a mesma coisa.
A actual situação em Portugal e no mundo foi antecipadamente prevista por muitos especialistas.
Avisos existiram em barda, nos meios de comunicação e com toda a certeza nas reuniões privadas com os decisores.
O menos informados dos cidadãos sabiam bem que quem gasta mais do que produz não consegue viver nessa situação por muito tempo. Mas fizeram vista grossa e preferiram acreditar nos contos de fadas.
Contudo, todos nós conhecemos quem viva da esperteza e astúcia para enganar os incautos e com isso ter um bom nível de vida à custa dos esquemas menos honestos que vão utilizando para usurparem o que os outros produzem. Normalmente este tipo de pessoas são conhecidos por "vigaristas".
Destes tenho eu encontrado alguns no mundo dos negócios (infelizmente muito mais do que eu gostaria de encontrar).
Contudo os tempos estão a mudar. Os mais incautos, por ventura até "mais honestos" estão a aprender que a dita "honestidade" não trás nenhum bem ao mundo nem a eles próprios.
Esta descoberta, por mais ingénua que pareça, vai fazer com que muita gente agora pense: "quem criou o problema que o resolva".
Quantos de nós é que ainda acreditam "estupidamente" que isto tem solução?
Eu tenho muitas dúvidas (para não dizer certeza).
Por isso, a melhor solução é deixar o problema a quem o criou!
(isto é que seria uma verdadeira proeza, que o povo Português "estupidamente" fosse capaz de o fazer, ainda mais uma vez, antes da morte definitiva do próprio país).

domingo, 30 de maio de 2010

EFEITOS DA GLOBALIZAÇÃO

Por mais que se fale da globalização e dos seus impactes na economia destes tempos de profundas alterações, nem sempre conseguimos perceber e antecipar todos os efeitos que as mudanças na economia provocam no cidadão normal de uma qualquer geografia.

De uma forma geral ao falarmos de globalização pensamos em empresas de grandes dimensões, com marcas universais, que operam em todos os mercados, abrangendo a esmagadora maioria da geografia do planeta.

Pensamos também em movimentos geográficos no campo da produção de produtos, na movimentação de mão-de-obra, quer seja especializada quer não, e acima de tudo na movimentação de capitais.

Pensar ainda em globalização é também ver de forma holística os equilíbrios e desequilíbrios geo-políticos existentes e a forma como os mesmos afectam o movimento de globalização.

Finalmente, a globalização têm ainda uma componente cultural, também ela importante sob o ponto de vista económico.

Porém, o que raramente se pensa é que a globalização está também presente nos fenómenos naturais e nos seus impactos na economia, especialmente nas populações.

As alterações que a erupção do vulcão na Finlândia causou temporariamente no quotidiano de muitos cidadãos, principalmente na Europa do Norte e nos EUA são disso um excelente exemplo. A disrupção que a nuvem de pó causada pelo referido evento provocou nas normais vidas de muitos viajantes de meios de transporte aéreo, como profissionais e muitos homens de negócio, turistas e outros viajantes foi objecto de muitas crónicas nos “media”.

Porém, os impactes das nuvens de poeira vulcânica não se ficaram pelos viajantes. Tiveram também efeitos nas populações de vários pontos do globo que nem sequer viajam de avião.

O exemplo disso foi-me contado por um taxista de Belo Horizonte, no Brasil, que durante uma semana viu o seu volume de trabalho drasticamente reduzido durante a semana de mais cancelamentos de voos de quase toda a Europa. Os voos cancelados na Europa, onde se incluem todos aqueles com destino ao Brasil, eliminou uma grande percentagem das corridas de táxi entre o aeroporto e a cidade de Belo Horizonte, principal actividade do taxista em causa, de tal forma que as suas receitas dessa semana se ressentiram bastante.

De facto, estamos perante uma nova realidade, que não será novidade para muitos, mas que vai muito mais além do obviamente visível. Economicamente estamos todos muito mais dependentes uns dos outros, independentemente da nossa posição geográfica ou da nossa actividade.

Ninguém pode ignorar esta nova realidade.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

AJUDAR OS RICOS EM NOME DOS POBRES

A ainda recente tragédia das inundações na Madeira e o enorme movimento de solidariedade nacional que conseguiu angariar vários milhões de euro para a reconstrução de muitas habitações de famílias desalojadas faz-nos pensar como esta situação diferiu em muito do apoio que também a nossa população deu para a tragédia do terramoto no Haiti.

Independentemente dos valores para uma e outra situação, todos conseguimos de alguma forma identificar como o apoio prestado à Madeira teve impacte na população Madeirense. Por exemplo, tivemos a informação de que os apoios obtidos da população por via de uma estação de televisão foram suficientes para reconstruir doze casa numa determinada área afectada pelas enxurradas, onde ficaram outras tantas famílias desalojadas. Todo o dinheiro, fazendo a conta entre o valor total e o número de habitações, respectivamente de um milhão de euros para doze casas, parece ter chegado ao seu destino.

O mesmo não poderemos dizer do apoio dado para o Haiti. Uma grande percentagem dos donativos angariados em Portugal, como no resto do mundo, foi consumida com custos de logística e de gestão. Geralmente menos de 50% dos donativos chegam às populações necessitadas, existindo casos em que apenas uma pequena percentagem, pouco acima dos 10% consegue atingir o objectivo principal.

Pelo meio ficam os custos com a aquisição de bens em países ricos e produtores dos mesmos, com logísticas complicadas de transporte aéreo e marítimo, com direitos alfandegários, com custos de gestão na origem e no destino, bem como com desvios e roubos ao longo de todo o processo e percurso.

Este é um dos principais dilemas para quem ajuda nestas situações. Nunca se sabe onde é que o dinheiro fica ou chega.

Contudo, como no caso da Madeira, em que o dinheiro vai directamente para os beneficiários, sendo que os custos de gestão, de logística, de transportes, de taxas, etc. ficam reduzidos a zero ou lá muito perto, os donativos tem quase 100% de efeito.

Esta comparação, apesar de pecar por falta de fundamentação mais profunda, trás ao de cima a principal diferença entre apoiar um país rico ou um país pobre, em caso de calamidade ou desastre.

No primeiro caso, o dinheiro vai ajudar o país visado, contribuindo de forma directa também para a economia do mesmo. No segundo caso, o dinheiro vai para os países que enviam os bens, ajudando a economia destes, sendo que o valor dos mesmos bens é fortemente reduzido em relação ao valor dos donativos.

O cepticismo de uma grande parte da população dos países ricos com propensão para doar em caso de calamidades e desastres é fundamentado pela desconfiança de que o seu apoio vai para os mais ricos e não para os mais pobres, apesar de muitos, estupidamente, quererem fazer crer que é o contrário.

sábado, 2 de janeiro de 2010

A INFORMAÇÃO DO ESTADO E A ECONOMIA.

No seu discurso de Ano Novo (2010), o Presidente da República apresentou como solução para a actual crise (quase explosiva) que se vive em Portugal, sendo ela principalmente de cariz económico, (1) o “aumento da competitividade nacional” e (2) um “maior apoio aos mais desfavorecidos”. Esta ordem de pensamento necessita de uma curta análise interpretativa do significado de ambas as prioridades.

No que diz respeito ao “aumento da competitividade nacional” convém estabelecer que a mesma é resultante da capacidade dos produtos nacionais têm de competir com os seus concorrentes internacionais. Neste jogo concorrencial, existem dois factores fundamentais: o preço relativamente aos produtos de massa ou “commodities” e a qualidade nos produtos de nicho ou “premiuns”. Assim, concorremos pelo custo de produção que nos permite vender a preços mais baixos do que os concorrentes ou concorremos pela qualidade dos produtos, sendo que esta qualidade se manifesta num mais elevado “valor” que os mesmos possam ter para os consumidores.

Vejamos como se poderá obter cada uma dessas vantagens competitivas.

O custo baixo de produção ou preço baixo de venda obtém-se por via de vários factores, entre outros: baixo custo da mão de obra (politica laboral); elevado índice de produtividade das empresas por via de excelentes processo de gestão e de automação(inovação empresarial) ; taxa cambial em baixa da moeda do país em que o produto é produzido ou taxa cambial em alta da moeda do país que importa o produto (politicas monetárias); baixos custos de externalidade (custos com o Estado relacionados com a burocracia e com os impostos); infra-estruturas de apoio à actividade económica (investimento público no âmbito da comunicação e da distribuição e na criação de centros tecnológicos); aquisição de matérias primas a preços competitivos por via de políticas comerciais internacionais (acordos inter-governamentais); e, excelentes competências individuais do mercado de trabalho (formação e educação da população trabalhadora).

A qualidade dos produtos, reflectida no “valor” dos produtos, obtém-se por via de vários factores, entre outros: inovação dos produtos obtida por via de novas funcionalidade, do design e da utilização de novos “inputs”; inovação dos processos produtivos obtida por via de novos processos e equipamentos produtivos, de novos processos de gestão organizacional e das TIC e de novos processos de marketing no âmbito da imagem/comunicação e distribuição;

Em género de conclusão, e olhando para cada um deste factores, facilmente chegaremos à conclusão que dificilmente conseguiremos ter qualquer vantagem competitiva em qualquer um deles. Na verdade, a nossa posição relativa em todos os factores relacionados com baixos custos de produção é muito inferior quando comparado com as economias do BASIC e outros do mesmo género e é das mais baixas relativamente à qualidade de produtos quando comparada com os nossos parceiros europeus e similares.

Porém, se tentarmos posicionar este assunto no campo político-económico, chegaremos rapidamente à conclusão que os factores acima enumerados são mais facilmente influenciados de forma positiva por sistemas neo-capitalistas do que por sistemas socialistas. Isto significará que a liberdade individual e de escolha, características intrínsecas dos mercados livres e abertos, se sobreporão aos direitos de igualdade e da responsabilidade comunitária. Este entendimento é crucial para se compreender a pertinência, ou falta dela, da segunda prioridade identificada pelo Senhor Presidente da República.

Pegando então no tema do “maior apoio aos mais desfavorecidos”, convirá começar por identificar quem serão os “mais desfavorecidos”. Neste grupo, poderemos incluir alguns dos mais afectados: desempregados de longa duração por força da sua falta de qualificações; jovens sem qualificações e jovens licenciados com imensas dificuldades na obtenção de colocação no mercado de trabalho; idosos com baixos recursos e meios de subsistência; imigrantes e pessoas com deficiências motoras e psíquicas com dificuldades de empregabilidade; e, crianças, jovens e idosos sem família de suporte.

Estes grupos de desfavorecidos apenas poderão ser ajudados por um Estado Social, que transfira recursos do bem comum gerados pela população activa/produtiva para suporte às necessidades dos mesmos, porque as empresas numa economia neo-capitalista ou de mercado não irão, com toda a certeza, assumir, de forma directa, o ónus com tais externalidades, a não ser que daí advenha alguma vantagem competitiva para elas próprias.

É aqui que começam os paradoxos entre as duas prioridades. Para fortalecer o tecido empresarial e criar condições para que se tornem competitivos, ter-se-ão de tomar medidas políticas de âmbito fiscal e laboral que apenas poderão ser contrárias aos interesses dos grupos desfavorecidos. Para apoiar de forma mais acentuada os grupos desfavorecidas ter-se-ão de tomar medidas políticas de âmbito laboral, fiscal e legal que irão contra os interesses das empresas.

Dentro dos limites definidos pelos pólos opostos, “Individualismo e Comunitarismo”, “liberdade e igualdade”, “liberalismo e socialismo”, é difícil, senão impossível, ser simultaneamente uma coisa e outra. Nesta dicotomia entre branco e preto não existe espaço para “tons de cinza” no que diz respeito aos maiores e mais pertinentes interesses de um e outro lado.

É neste contexto que as prioridades enumeradas pelo Presidente da República se tornam inviáveis, especialmente se a sua implementação for tentada em simultâneo. Para que a segunda prioridade, o maior apoio aos mais desfavorecidos, seja possível teremos de ter uma economia forte e um Estado com capacidade financeira para desenvolver acções de apoio aos mais desfavorecidos, o que significa que será necessário implementar a primeira prioridade em primeiro lugar. Para que a primeira prioridade, o aumento da competitividade nacional, seja uma realidade teremos de deixar a segunda para depois, para o médio ou mesmo longo prazo, na medida em que os resultados, especialmente face ao ponto de partida já de si tão deficitário, serão sempre de lento desenvolvimento.

Sendo assim, a quem compete definir prioridades? Ao Presidente da República ou ao Governo? E quem irá ter a coragem, política e social, para esclarecer este assunto a todos os Portugueses, bem como informar quais serão todas as implicações de uma qualquer prioridade para os diferentes agentes económicos e sociais? Quem irá, de uma vez por todas, dar as más notícias aos Portugueses? Ou iremos esperar pelo anunciado desfeche para que a notícia seja post mortem?

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

INDIVIDUALISMO vs COLECTIVISMO

Na natureza podemos encontrar várias formas de organização social, que se colocam em extremos opostos.

As formigas estão organizadas de forma colectiva, com uma estrutura hierárquica e organizacional bem definida e imutável (não existe inovação nem revolução). As cigarras vivem sozinhas, separadas dos restantes elementos da mesma espécie, não possuindo uma estrutura social. Colectivamente (as formigas) ou Individualmente (as cigarras), ambas as espécies conseguem sobreviver, não sei precisamente desde quando, mas arriscamo-nos a dizer que para lá de um milhão de anos.

Mais recentes na vida do planeta Terra, os "suricatas" (há quem erradamente lhes chame cães da pradaria) tem uma estrutura organizacional, hierárquica e social muito bem definida, vivendo em perfeito regime colectivo, o que lhes garante a sobrevivência nos hostis ambientes africanos. Por outro lado, as "chitas" vivem isoladamente, longe das da sua espécie, num perfeito regime individualista, mantendo também a sua sobrevivência nos mesmos ambientes africanos.

Entre estes dois extremos podemos encontrar outras "misturas" com menor ou maior tendência para um dos lados ou extremos.

Se pensarmos na nossa sociedade, poderemos com um reduzido risco dizer que o "homem" se deverá ter organizado de forma colectiva logo nos primórdios da sua existência, à semelhança dos seus parentes primatas, e como ainda podemos ver nas tribos indígenas do Amazonas ou de Papua - Nova Guiné.

Este regime colectivo de organização da sociedade humana assenta na partilha dos bens e conhecimentos, como também na partilha das responsabilidades e obrigações. São regimes colectivos, onde a independência individual é sobreposta pela igualdade entre pares, tanto nos direitos como nos deveres. A hierarquia existente é presente mas não imposta de forma extrema. O direito à opinião e participação para o "bem comum" é igual para todos.

Assim, poderá ser correcto dizermos que o homem tem uma forte tendência histórica para viver de forma colectiva, em sociedade, onde a igualdade tenderá a sobrepor-se ao individualismo ou, nalguma extensão, à liberdade individual.

Porém, durante os últimos séculos, desde a revolução industrial em termos económicos, e a revolução francesa em termos sociais/políticos, temos vindo a assistir nos países do ocidente a uma maior tendência para se valorizar o individualismo e a liberdade individual, apesar das tentativas contrárias de Henkel e Marx (entre muitos defensores do colectivismo).

No século passado, Hayek e Friedman (entre outros) defenderam a liberdade individual como ponto de partida para uma sociedade justa, onde cada um tem direito a ser diferente em função do seu esforço e contributo para a sociedade, sendo que essa sociedade se manifesta num mercado verdadeiramente livre.

Assim, do lado do individualismo teremos alguns princípios dogmáticos como: liberdade de escolha, liberdade de acção, comercialização e movimentação de pessoas e bens, exaltação do indivíduo, do corpo, do sucesso profissional e económico, e liberdade política e económica.

Por outro lado, o colectivismo assenta em alguns dogmas como: participação colectiva de todos, igualdade de direitos e deveres, partilha de resultados, e participação cívica e política.

Aceitando estes princípios como correctos, poderemos então compreender como eles se reflectem na nossa sociedade e na economia.

No lado do Individualismo aceita-se forças políticas diversas, que representem os mais variados interesses, podendo o poder ser partilhado. No lado do Colectivismo aceita-se a participação no partido que represente a maioria, sendo que é a maioria que tem o poder absoluto.

A liberdade de escolher tudo o que se relacione com o indivíduo, como profissão, formação académica e profissional, casa, carro, etc. é típico da filosofia individualista. No lado da filosofia colectivista, o interesse colectivo (do todo) sobrepõem-se às preferências e interesses dos indivíduos em todas essas áreas.

O mercado livre e o capital (como no capitalismo e no neo-liberalismo) são o resultado da aplicação do ideal individualista. O Estado intervencionista e social (social-democracia, socialismo e comunismo no seu extremo) resulta do ideal colectivista.

Se ao individualismo se associa a direita política e ao colectivismo a esquerda política, ficam por responder alguns comportamentos das mesmas correntes políticas, tanto de uma como de outra.

Por exemplo, porque é que o casamento gay (liberdade de escolha sexual individual) não é defendido pela direita mas sim pela esquerda? Porque razão a esquerda pareceu mais preocupada com a potencial queda do sistema financeiro aquando da recente crise do sub-prime do que a direita, se se pretendia apenas garantir os benefícios individuais dos depositantes contra os custos colectivos para os garantir?

Os paradoxos parecem ser bastantes, o que torna impossível para o cidadão comum compreender certas atitudes e acções políticas que se reflectem directamente na nossa sociedade e economia.